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Área Paralisada
Afinal, o que é paralisia cerebral?

Karel Bobath, fisiologista alemão e autor do livro "Uma Base Neurofisiológica para o Tratamento da Paralisia Cerebral", define paralisia cerebral ou PC como um distúrbio neuromotor causado por uma lesão no cérebro em desenvolvimento (período que engloba desde o momento da concepção da criança até os dois anos de idade) e interfere na coordenação motora e postura do indivíduo. As desordens motoras da PC podem estar associadas à deficiência intelectual. No entanto, isso não é uma regra, e muitos pacientes têm o intelecto completamente preservado.

Principais Causas:

• Má-formação do sistema nervoso central

• Infecções ocorridas durante a gestação (por meio de doenças transmitidas de mãe para filho)

• Falta de oxigenação no cérebro da criança durante o parto

• Nascimento prematuro ou baixo peso ao nascer

• Traumatismo craniano

• Meningites

É importante ressaltar que, ainda segundo Bobath, a paralisia cerebral não pode ser considerada uma doença. Ela é classificada como uma síndrome, pois a lesão não tem caráter progressivo, ou seja, não vai piorar e, tampouco, desaparecer.

Tipos de paralisia cerebral

Guia do cérebro de um PC

1. Espástica: É o tipo mais frequente. Causada por uma lesão no córtex motor, pode provocar rigidez muscular, músculos com força diminuída e tônus aumentado. Dificuldade de movimento.

2. Discinética: Lesão no sistema extra-piramidal responsável por modular o movimento. Presença de movimentos involuntários e comprometimento motor.

3. Atáxica: Tipo mais raro de PC. É ocasionado por lesão no cerebelo. Afeta o equilíbrio e a coordenação. Tremores e comprometimento da fala são comuns.

Fonte: ABPC - Associação Brasileira de Paralisia Cerebral

Comprometimento motor

Ilustração de Monoplegia

Monoplegia: Lesão rara, afeta apenas um dos membros.

Ilustração de Diplegia

Diplegia: Afeta principalmente os membros inferiores, embora braços possam ser afetados em menor proporção. A fala não é prejudicada.

Ilustração de Paraplegia

Paraplegia: Compromete apenas os membros inferiores, tal como em lesões de coluna.

Ilustração de Hemiplegia

Hemiplegia: Apenas um dos lados do corpo é afetado.

Ilustração de Quadriplegia

Quadriplegia: Além do comprometimento dos membros superiores e inferiores, o tronco também pode ser afetado. Dificuldades na fala e na coordenação ocular também podem ser observadas.

Fonte: Livro "Uma Base Neurofisiológica para o Tratamento da Paralisia Cerebral",
Karel Bobath, 1997

TRATAMENTO

De acordo com a neurologista Nídia Pires, especialista em paralisia cerebral infantil que atua na área há 20 anos, em função da lesão cerebral, as células de pacientes com PC estão sujeitas a um envelhecimento precoce, o que pode resultar em uma expectativa de vida menor. Para tentar amenizar esse fato e auxiliar na melhora da qualidade de vida dessas pessoas são necessários tratamentos contínuos.

O processo de tratamento é complexo. Precisa ser adequado de acordo com as necessidades de cada paciente e demanda a atuação de uma equipe composta por profissionais de diversas áreas da saúde. Nídia comenta sobre as funções de alguns dos especialistas:

“O fisiatra vai indicar as melhores órteses. O neurologista, analisar se as capacidades intelectual e física foram afetadas. O fisioterapeuta irá auxiliar com os tratamentos para melhorar as limitações motoras e a fonoaudióloga cuidará dos pacientes com dificuldades de deglutição e fala. Além disso, a psicóloga também é importante para dar suporte emocional aos PCs que, muitas vezes, sofrem preconceitos e não têm uma vida fácil”.

INCIDÊNCIA DE CASOS

A ocorrência de casos de PC é maior nos países subdesenvolvidos devido às baixas condições socioeconômicas e à precariedade dos cuidados pré-natais.

A estimativa do número de indivíduos com paralisia cerebral em países em desenvolvimento pode chegar a 7/1000 nascidos vivos, segundo dados do Departamento de Neurologia Infantil da Universidade de São Paulo contidos no livro “Comparação do desempenho de atividades funcionais em crianças com desenvolvimento normal e crianças com paralisia cerebral”, de Marisa Mancini e outros autores, publicado em 2002. Quando se trata dos países desenvolvidos, esse número cai para 2/1000 nascidos vivos.

Dados mais precisos sobre o número de indivíduos com paralisia cerebral no Brasil são escassos. O cálculo real não pode ser baseado em hospitais e maternidades, já que nem sempre a lesão é diagnosticada ao nascer. Marilena do Nascimento, conselheira da Associação Brasileira de Paralisia Cerebral (ABPC) explica, “É difícil atualizar os dados da PC pela falta dos registros médicos e muitas vezes a família demora a procurar ajuda porque não percebe o atraso do desenvolvimento da criança”, afirma Marilena.

Outra possível fonte de informação são as instituições de apoio como a AACD e a Cruz Verde, que fornecem assistência e tratamento às pessoas com a síndrome, visando estimular o desenvolvimento das habilidades motoras e contribuir para que os pacientes se sintam mais incluídos na sociedade. Porém, mesmo nessas organizações, não é possível estimar com precisão, já que, como coloca Marilena, muitas das crianças diagnosticadas com PC não chegam a ser encaminhadas para essas instituições.

O FUTURO

Não existe uma cura para a paralisia cerebral, os tratamentos têm a função apenas de promover o desenvolvimento das capacidades mental e física. Segundo Nídia, já existem alguns estudos relacionados à regeneração das células cerebrais, que são as mais afetadas pela paralisia, porém, ainda não se tem nenhum resultado concreto.

“Ainda estamos engatinhando muito em termos de cura. O que temos de novidade são tratamentos de fisioterapia para ajudar a pessoa a se movimentar melhor”, explica a neurologista.